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Quinta-Feira, 23 de Novembro de 2017

Em delação, Silval entrega vídeos de "poderosos", diz jornal

Força-tarefa do MPE e MPF devem analisar conteúdo de dados

Reprodução

Diário de Cuiabá

Postada em 20 de Abril de 2017 às 08h39min

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) começou a apresentar várias provas dos seus depoimentos que vem fazendo junto ao Ministério Público Federal e Estadual (MPF-MPE) desde março deste ano. Na última terça-feira (18), Silval passou cerca de seis horas prestando informações a promotora de justiça Ana Cristina Bardusco Silva, que atualmente coordena o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA) no Estado. 

Desde que começou a buscar o acordo de delação premiada no MPF e MPE, Silval vem apresentado diversos documentos que comprovariam o que vem dizendo aos órgãos, como e-mails, documentos, troca de mensagens e até áudios e vídeos que foram gravados pelo próprio ex-govornador. “Todos os depoimentos que ele vem fazendo estão sendo gravados. Mas o que mais chama atenção é que ele parece ter muitas provas de tudo vem falando. E isso envolve muitas pessoas”, disse um dos membros do Ministério Público de Mato Grosso ouvidos pelo Diário.

"O Silval está falando tudo o que sabe e o que pode provar. Essa decisão é a última cartada que ele tem. E ele está falando e está dizendo que pode provar tudo. Então vamos aguardar os depoimentos e depois avaliar se procede e se as provas que ele diz ter condizem com os fatos. Só depois disso que vamos avaliar a possibilidade da proposta de colaboração premiada", diz outro promotor de justiça. 

Após os depoimentos, o MPE e MPF irão avaliar se firma ou não acordo de delação com o ex-chefe do Executivo Mato-Grossense. “Firmando o acordo irá se avaliar qual será o benefício que poderá ser a diminuição da pena, cumprindo mais um tempo em regime fechado e depois no semiaberto ou se irá para outro regime de cumprimento de pena como o regime domiciliar”, explicou o promotor. 

Sobre os longos depoimentos que Silval vem prestando se deve ao fato de que os promotores exigem muito mais do que já se sabe por conta das investigações e ações que já estão em andamento. "Agora isso pode levar tempo porque ele [Silval] também está prestando depoimentos junto ao Ministério Público Federal (MPF). Pode ser que tenhamos que fazer uma espécie de força tarefa colaborativa com o MPF para que possamos trocar informações e a partir daí iniciarmos o processo de investigação de novas denúncias e a comprovação de outras", explicou. 

Os depoimentos do ex-governador também deverão ser analisados pelo Naco - Núcleo de Ações de Competência Originária, por conta do envolvimento de pessoas com foro privilegiado, como deputados estaduais, prefeitos e vereadores. 

Já os depoimentos ao MPF envolveriam deputados federais e senadores, além de ligações nacionais junto ao PMDB e PT. Silval Barbosa está preso desde setembro de 2015, quando foi deflagrada a operação Sodoma, que atualmente já está em sua quinta fase.

Sodoma apura desvios de recursos do erário por meio de cobrança de propina de empresários em troca de incentivos fiscais e fraudes em licitações e sobre a Operação Seven na qual é investigada a compra em duplicidade de uma área rural na região no Lago do Manso, por R$ 7 milhões, Silval também vem revelando outras articulações nada republicanas que ocorreram no tempo em que foi vice-governador e governador do Estado (2007-2014). 

A defesa do ex-governador Silval Barbosa vem negando publicamente os depoimentos e a intenção de se firmar um acordo delação premiada junto ao MPE e MPF.